A consolidação de Flávio Bolsonaro como o candidato com mais força para concorrer com Lula aparece também na intenção de voto espontânea

A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou força no cenário eleitoral e já aparece como o principal nome da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com nova pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (7), os dois aparecem em empate técnico em uma eventual disputa de segundo turno.

No cenário testado pelo instituto, Lula registra 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 43%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado configura empate técnico.

A pesquisa foi realizada entre terça e quinta-feira desta semana e ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios brasileiros.

Avanço de Flávio Bolsonaro no primeiro turno

Nos cenários de primeiro turno, o presidente Lula ainda aparece na liderança, mas com vantagem menor. No quadro considerado mais provável pelo instituto, o petista soma 38% das intenções de voto, contra 32% de Flávio Bolsonaro.

Outros nomes testados aparecem mais distantes:

Entre os entrevistados, 11% disseram rejeitar todos os candidatos e 3% afirmaram não saber em quem votar.

Na intenção de voto espontânea — quando os nomes não são apresentados aos entrevistados — Lula aparece com 25%, enquanto Flávio Bolsonaro surge com 12%, marcando sua primeira presença relevante nesse formato. O ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente inelegível, foi citado por 3% dos eleitores.

Cenários alternativos testados

O Datafolha simulou cinco cenários de primeiro turno e sete de segundo turno. Em todos eles Lula aparece à frente, porém com vantagem menor em comparação a levantamentos anteriores.

Em um cenário considerado improvável, em que Fernando Haddad (PT) seria o candidato do partido, o ministro da Fazenda teria 21%, contra 33% de Flávio Bolsonaro.

Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que chegou a ser visto como principal nome da direita em meses anteriores, aparece com 21% nas simulações mais recentes.

Estratégia da centro-direita ainda não decola

No campo da centro-direita, a estratégia do presidente do PSD, Gilberto Kassab, de lançar vários nomes e posteriormente unificá-los ainda não demonstrou força suficiente para romper a polarização.

Entre os nomes do grupo, o melhor posicionado é o governador do Paraná, Ratinho Jr., que alcança 7% das intenções de voto no cenário com Lula e Flávio Bolsonaro. Mesmo assim, ele permanece distante dos dois líderes.

Diferença no segundo turno diminui

Em comparação com a pesquisa anterior, divulgada em dezembro, a distância entre Lula e Flávio Bolsonaro encolheu significativamente.

Na rodada passada, Lula aparecia 15 pontos à frente do senador. Agora, a vantagem caiu para apenas três pontos, dentro da margem de erro.

Em outro cenário de segundo turno, Lula também enfrenta Ratinho Jr. e vence por 45% a 41%.

Perfil do eleitorado mantém polarização

A divisão do eleitorado segue padrões semelhantes aos observados nas eleições desde 2018.

Lula apresenta melhor desempenho entre:

Entre aqueles que ganham até dois salários mínimos, o presidente chega a 42% das intenções de voto.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, concentra apoio principalmente entre:

Sua melhor marca aparece entre evangélicos, grupo em que atinge 48% das intenções de voto.

Rejeição elevada dos dois principais candidatos

A pesquisa também aponta altos índices de rejeição entre os principais nomes da disputa.

Ambos também apresentam alto nível de conhecimento entre os eleitores. Apenas 1% dos entrevistados dizem não conhecer Lula, enquanto 7% afirmam nunca ter ouvido falar de Flávio Bolsonaro.

Entre os demais nomes testados, Ratinho Jr. se destaca por apresentar baixa rejeição (19%), mas ainda sofre com alto nível de desconhecimento, já que 38% dos entrevistados afirmam não saber quem ele é.

Ambiente político desfavorável ao governo

Analistas políticos avaliam que o atual cenário surge em um ambiente considerado desfavorável ao governo federal.

O escândalo envolvendo o Banco Master, apesar de ainda não atingir diretamente o núcleo do Palácio do Planalto, reforça críticas da oposição e alimenta a percepção de corrupção associada ao governo — um discurso que tende a ser explorado pelo campo bolsonarista durante a disputa eleitoral.

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