Crescimento das montadoras chinesas no Brasil gera preocupações sobre preços e depreciação para locadoras de veículos.

Como avano de carros eltricos chineses acende alerta para locadoras no Brasil

A rápida expansão das montadoras chinesas no Brasil começa a gerar preocupações no setor de locação de veículos, especialmente em relação à formação de preços e à depreciação das frotas. Análises do Goldman Sachs e do Bradesco BBI indicam que o aumento da presença de modelos de entrada pode pressionar o mercado de carros novos, afetando empresas como Localiza (RENT3) e Movida (MOVI3). O alerta se intensificou após a divulgação de dados do Autodata, que mostraram que o BYD Dolphin Mini foi um dos dez veículos mais vendidos em março, com cerca de 7 mil unidades emplacadas.

De acordo com o Goldman Sachs, a participação de mercado do Dolphin Mini pode ter alcançado aproximadamente 5% em março, uma alta em relação aos 3% registrados em fevereiro. Este crescimento ocorreu em meio a uma promoção pontual da montadora, o que pode ter inflacionado temporariamente os números. A análise ressalta que a entrada de veículos chineses pode pressionar os preços e provocar uma depreciação maior das frotas, similar ao que foi observado no mercado de SUVs em 2023.

No final da semana passada, o Goldman rebaixou a recomendação para os ativos da Localiza, estabelecendo um preço-alvo de R$ 50. O banco estima que cada 1% de variação nos preços dos carros novos no Brasil impactaria em R$ 570 milhões no valor contábil da frota, prevendo uma redução no lucro líquido anual de aproximadamente R$ 300 milhões até 2027. Em 2024, a empresa já havia registrado um ajuste de R$ 1,4 bilhão, refletindo cerca de 2,5% do valor da frota.

O Bradesco BBI também destaca o avanço das montadoras chinesas, que podem representar até 35% do mercado brasileiro de veículos até 2035, frente a 10% em 2024. Mesmo com a migração para produção local, essas marcas deverão manter alta competitividade devido a subsídios, ganhos de escala e acesso a componentes de baixo custo. Essa expansão pode impactar diretamente as locadoras, mas o banco acredita que os efeitos poderão ser gerenciáveis, considerando fatores como a maior resiliência do segmento de SUVs e tarifas de importação que limitam políticas de desconto agressivas.