Derrota de Meloni em referendo reflete descontentamento com aliança com Trump e impacto econômico da política externa dos EUA.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, enfrentou um revés significativo nesta semana, quando uma sequência de invencibilidade política chegou ao fim. Em um referendo constitucional, os italianos rejeitaram sua proposta de reforma judicial, resultando em um expressivo “não” de 54% dos votos. Conforme analisado pelo Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR), a derrota reflete uma crescente desconexão entre a postura soberanista de Meloni, especialmente sua aproximação com Donald Trump, e a realidade econômica enfrentada pelo país.
O referendo, que inicialmente tratava de aspectos técnicos da separação de carreiras judiciais, rapidamente se transformou em um julgamento do governo Meloni. A alta participação de 59% dos eleitores e o resultado desfavorável preocupam a premiê, que vê sua popularidade ameaçada. O ECFR aponta que as políticas de Trump, que incluem uma relação tensa com a OTAN e taxas comerciais punitivas, contribuíram para um sentimento de vulnerabilidade na Itália.
Além disso, a escalada do conflito no Oriente Médio e seu impacto nos preços de energia têm gerado uma pressão adicional sobre a economia italiana. Com a dependência do país das importações do Golfo, analistas alertam para uma possível recessão provocada pelo aumento da inflação, que deve variar de 1% a 1,5%. Tal cenário tem se tornado um ponto de crítica, especialmente entre os eleitores da região norte, fundamental para a coalizão governista, que veem o aumento de custos como uma falha do governo.
Com sinais de oposição mesmo entre os apoiadores de centro-direita, os italianos demonstram desejo por uma política externa que promova a coesão europeia e a estabilidade interna. Para os analistas do ECFR, a derrota de Meloni pode abrir espaço para uma mudança nas dinâmicas do governo, favorecendo vozes mais moderadas. Essa situação pode servir como um alerta para outros aliados de Trump na Europa, como o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, que também enfrenta um cenário político desafiador nas próximas eleições.