Ouro despenca 22% após atingir pico histórico, surpreendendo investidores em meio a conflito no Irã.

O ouro tem apresentado oscilações significativas no início de 2023, surpreendendo analistas e investidores. Após atingir um pico de US$ 5.586,20 em 29 de janeiro, o preço do metal precioso caiu para US$ 4.348,20, uma diminuição de 22% desde o valor máximo. Esse deslizamento ocorre em um contexto marcado pela recusa do Irã em negociar um cessar-fogo com os Estados Unidos, desafiando a expectativa de que uma crise geopolítica aumentaria a demanda por ouro como investimento seguro. Desde que o conflito começou, o ouro já perdeu mais de 16% de seu valor em relação ao seu máximo do ano, afetando negativamente fundos multimercados que apostavam em sua alta.
Diversos fatores explicam essa queda repentina do preço do metal. Rodrigo Marques, economista-chefe da Nest Asset, destaca que a pressão vendedora poderá ser impulsionada pela necessidade de liquidez de produtores do Oriente Médio, que buscam cobrir necessidades imediatas, liquidando ativos como o ouro. Além disso, as expectativas de corte de juros nos Estados Unidos, que poderiam favorecer o ouro, foram adiadas, contribuindo para a queda dos preços.
Danilo Moreno, analista da Investo, enfatiza que a correção de preços e a recente liquidação de posições especulativas em ETFs de ouro amplificaram a queda. Essa venda forçada não reflete uma mudança estrutural na visão sobre o metal, mas sim uma resposta a circunstâncias imediatas. O aumento das taxas de juros e a venda de ativos por países do Oriente Médio também complicam a situação, aumentando o custo de oportunidade de manter o ouro.
Apesar da volatilidade no curto prazo, especialistas acreditam que o cenário de longo prazo para o ouro continua sendo positivo, especialmente diante do aumento dos gastos com defesa global e da deterioração fiscal dos Estados Unidos. O crescimento da demanda por ouro entre bancos centrais de países emergentes é visto como um indicativo de que o metal ainda tem um papel importante como reserva de valor. Para investidores brasileiros, a possibilidade de adquirir ouro de forma simplificada por meio de ETFs representa uma oportunidade interessante, embora a recomendação seja de cautela e gradualidade nas aquisições.