Morgan Stanley reavalia investimentos e reduz exposição a ações globais diante da incerteza no fornecimento de petróleo no Oriente Médio.

O banco Morgan Stanley revisou suas recomendações para ativos de risco, alterando a classificação de ações globais de overweight para equalweight e aumentando a alocação em caixa e Treasuries dos EUA. Essa mudança ocorre em meio a crescentes incertezas relacionadas à duração e ao impacto das interrupções no fornecimento de petróleo, especialmente devido às tensões no Oriente Médio. Os analistas do banco expressam preocupações sobre como o mercado atual parece complacente frente a potenciais cenários extremos, como um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz.
Em um cenário de alta significativa no preço do petróleo, o Morgan estima que o barril do Brent poderia atingir entre US$ 150 e US$ 180, o que exigiria uma redução drástica na demanda para estabilizar o mercado. Uma situação desse tipo poderia resultar em uma contração de até 25% nos múltiplos das ações globais e na ampliação séria dos spreads de crédito, levando a perdas consideráveis para investidores de renda variável e crédito corporativo. Apesar da volatilidade recente ter tornado alguns ativos de risco mais atrativos, o banco acredita que o risco-retorno se deteriorou.
O Morgan Stanley também sugere cautela em relação aos mercados não americanos, reduzindo a exposição a ações na Europa, Japão e mercados emergentes, que estão mais suscetíveis a choques energéticos e desacelerações globais. A preferência do banco se direciona a ativos americanos, pois ações e títulos públicos dos EUA tendem a enfrentar menores perdas em cenários de estresse extremo, beneficiando-se de fluxos defensivos em períodos de aversão ao risco.
Além disso, o banco diminuiu seu investimento em ações de mercados emergentes, apesar de avaliar positivamente algumas economias, como a do Brasil. Porém, a dependência dessas regiões em relação ao fornecimento de petróleo do Oriente Médio continua a ser uma preocupação significativa.