Desafios de defesa e política externa do Brasil são destacados em conferência sobre segurança e integração internacional.

Defesa é desafio da política externa do Brasil, diz assessor de Lula

A defesa se torna um dos principais desafios para a política externa do Brasil nos próximos anos, especialmente diante das ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e do cenário global tumultuado. A avaliação é de Audo Faleiro, assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente da República, que destacou a necessidade de o país se preparar para essas questões durante a 2ª Conferência Nacional sobre Política Externa e Inserção Internacional do Brasil, realizada na Universidade Federal do ABC, em São Bernardo do Campo (SP).

Faleiro não identificou uma ameaça imediata às reservas de petróleo ou ao programa nuclear do Brasil, mas fez um alerta sobre a percepção de vulnerabilidade diante de movimentos militares estrangeiros na região. Ele mencionou um dilema na sociedade brasileira: a crença de que o país, sendo pacífico, não precisaria investir em defesa, contrapondo à realidade de que uma assimetria militar significativa existe.

Além do setor de defesa, o assessor identificou cinco outras áreas críticas que exigirão atenção: minerais críticos e terras raras, soberania digital, crime organizado transnacional, integração regional e vínculos com países africanos. No que diz respeito aos minerais, Faleiro enfatizou a necessidade de modernizar a regulamentação e propôs a criação de um Conselho Nacional de Minerais Críticos.

No campo da soberania digital, o Brasil, segundo ele, está atrasado e precisará apressar esforços nesse domínio. A integração com a América Latina também enfrenta desafios, especialmente com a fragmentação política na região. Faleiro destacou a importância de uma agenda conjunta para combater o crime organizado, além de um olhar renovado para a cooperação com países africanos, onde o Brasil precisa repensar seu papel após anos de desinteresse.