Camilo Santana apoia classificação de facções criminosas como terroristas, em desacordo com o governo Lula.

O ex-ministro da Educação e atual senador Camilo Santana (PT-CE) manifestou sua posição a favor da inclusão de facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de organizações terroristas. Essa visão contrasta com a posição do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que criticou a recente decisão das autoridades dos Estados Unidos sobre essa classificação. Em entrevista ao portal Metrópoles, Camilo destacou que as ações das facções representam um estado de terror no Brasil e afirmou que tais organizações devem ser tratadas da forma mais rigorosa possível.
Além de expressar sua discordância ao presidente Lula, Camilo acredita que os Estados Unidos poderiam colaborar com a proposta de cooperação internacional apresentada por Lula para enfrentar o crime organizado. Ele enfatizou que questões de segurança não devem ser usadas para politicagem, fazendo uma crítica implícita ao pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB). A defesa pela classificação das facções como grupos terroristas tem sido uma bandeira levantada por figuras da direita, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O posicionamento oficial do governo brasileiro, por outro lado, enfatiza que a responsabilidade pelo combate a esses grupos é do Estado. Em uma nota divulgada em maio, o Executivo reconheceu que as facções operam de maneira terrorista, mas alertou sobre as implicações de tal classificação em termos de soberania nacional. Em resposta a isso, o Brasil apresentou uma proposta ao Departamento de Estado dos EUA para reforçar a cooperação internacional no combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas.
Durante um discurso no Senado, Camilo também elogiou a atuação do governo federal em segurança pública e solicitou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, que visa endurecer a legislação contra facções, seja colocada em votação. A PEC, que está paralisada há três meses na Casa, propõe, entre outras medidas, a criação de fundos para fortalecer a segurança pública e garantir políticas regionais mais robustas no combate ao crime organizado.