“Dólar se valoriza como porto seguro amid alta dos preços do petróleo e tensões no Oriente Médio.”

O dólar americano se valorizou em relação às principais moedas, impulsionado pela intensificação do conflito no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo acima de US$ 100 por barril. Esse cenário elevou a demanda por ativos considerados seguros, enquanto a possibilidade de cortes adicionais na produção de petróleo aumentou a apreensão nos mercados. Recentemente, o Índice Bloomberg Dollar Spot subiu 0,6%, sucedendo um aumento de 1,3% na semana anterior. A coroa sueca registrou as maiores perdas entre as moedas do G10, seguida pelo dólar australiano e pelo euro.
Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury, destacou que o dólar tem sido visto como um refúgio seguro, dado seu alto nível de liquidez e a forte valorização impulsionada pelos preços do petróleo. A alta nos preços do petróleo gerou preocupações inflacionárias em todo o mundo, levando investidores a reavaliar suas expectativas sobre cortes nas taxas de juros do Federal Reserve. Com os EUA se destacando como o maior produtor mundial de petróleo, a moeda americana tem se beneficiado dessa posição.
O iene japonês também enfrentou desvalorização na segunda-feira, caindo cerca de 0,4%, o que pode sinalizar intervenções por parte das autoridades japonesas, especialmente com o dólar se aproximando de níveis críticos. Comentários de estrategistas como Carol Kong, do Commonwealth Bank of Australia, ressaltam a ansiedade das autoridades com o encaminhamento do dólar-iene.
Além disso, dados recentes indicam que os fundos de hedge adotaram um posicionamento menos pessimista em relação ao dólar americano, mantendo cerca de US$ 12,3 bilhões em posições pessimistas. Rodrigo Catril, do National Australia Bank Ltd, antecipou que, dada a perspectiva de aumento dos preços do petróleo e uma maior aversão ao risco, o dólar deve continuar forte, colocando em alerta as economias dependentes de energia, como a Europa e o Japão.