Taxas dos DIs sobem com pressão inflacionária e incertezas comerciais antes do feriado.

As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) apresentaram uma forte alta nesta quarta-feira, com aumentos superiores a 30 pontos-base em alguns vencimentos. O clima de apreensão no mercado foi agravado pela preocupação com as projeções de inflação no Brasil, a ameaça dos Estados Unidos de implementar novas tarifas sobre produtos brasileiros e os conflitos entre EUA e Irã no Oriente Médio. A taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu 14,355%, enquanto a do DI para janeiro de 2035 chegou a 14,43%.
Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicaram um crescimento de 0,7% na produção industrial de abril em relação a março e um avanço de 2,7% em comparação a abril de 2022. Esse crescimento consecutivo por quatro meses consecutivos reforça a ideia de que a atividade econômica está aquecida, influenciando as expectativas de inflação e limitando a possibilidade de cortes nas taxas de juros.
As recentes revisões nas projeções de inflação e na taxa básica Selic, atualmente em 14,50% ao ano, foram impulsionadas por instituições financeiras como o Itaú Unibanco, C6 Bank e XP. A XP, por exemplo, ajustou sua previsão para inflação em 2026 de 5,3% para 5,5%, e agora espera apenas dois cortes na Selic antes de uma pausa. Já o BTG revisou as expectativas para a Selic, projetando 14,25% para o fim de 2026.
Além disso, as ameaças tarifárias dos EUA agravaram o cenário. O Escritório de Comércio dos Estados Unidos propôs uma tarifa de 12,5% sobre alguns produtos brasileiros devido a “falhas no combate ao trabalho forçado”. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou essas decisões, associando a deterioração das relações entre Brasil e EUA à oposição política interna. O mercado brasileiro ficará fechado nesta quinta-feira, devido ao feriado de Corpus Christi, retornando suas atividades na sexta-feira.