EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas globais, desconsiderando posição do governo brasileiro.

Na última quinta-feira, a Secretaria de Estado dos Estados Unidos anunciou a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais. A inclusão das facções é parte de uma lista que será atualizada no dia 5 de junho. A decisão ocorreu sem a consulta ou concordância do governo brasileiro, sob a administração de Luiz Inácio Lula da Silva.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) celebrou a medida nas redes sociais, afirmando que se tratava de um “grande dia”. Ele havia se encontrado com o presidente Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, onde defendeu a inclusão dos grupos na lista de organizações terroristas. O governo brasileiro, por sua vez, manifestou preocupação, afirmando que essa designação poderia abrir espaço para ações militares americanas em território nacional.
A gestão Trump já discutia a classificação das organizações há meses, com o objetivo de facilitar ações como o congelamento de ativos e o monitoramento dos membros das facções. Embora a designação não autorize ataques militares, precedentes indicam que grupos rotulados como terroristas podem ser alvo de operações norte-americanas fora do país.
Além disso, há preocupações sobre as possíveis sanções ao sistema financeiro brasileiro em função dos fluxos de dinheiro do crime organizado. As duas listas em que PCC e CV serão incluídos têm propósitos distintos: a primeira visa ações financeiras, enquanto a segunda tem o foco em investigações criminais e controle de imigrações.