Brasil defende postura firme contra tarifas dos EUA, destacando autonomia e paciência nas relações internacionais.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, abordou a resposta do Brasil às tarifas impostas pelos Estados Unidos em entrevista à revista francesa Le Grand Continent. Durante sua participação na Reunião de Ministros de Finanças do G7 em Paris, ele afirmou que o Brasil se manteve firme em suas posições, rejeitando interferências externas e não retaliando os Estados Unidos. Durigan relembrou que o Brasil enfrentou tarifas de até 50% e destacou a natureza assimétrica das relações comerciais entre os dois países.
Durigan também observou que a reação dos europeus foi abrupta, argumentando que a busca por um acordo rápido com Washington pode ter intensificado a situação. Ele confirmou que as tarifas americanas visavam pressionar o governo brasileiro em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mas essa tentativa não teve o efeito desejado, uma vez que o processo judicial contra Bolsonaro ocorreu normalmente, fortalecendo a autonomia do Judiciário brasileiro.
Além disso, o ministro enfatizou a importância da previsibilidade jurídica para atrair investimentos. Ele defendeu a adoção de um sistema em que disputas sejam resolvidas com confiança. Durigan também reiterou o compromisso do Brasil com o multilateralismo e a busca por boas relações com todas as nações, sem querer que um único país, como a China, domine o mercado brasileiro com produtos manufaturados.
Por fim, Durigan destacou a intenção do Brasil de subir na cadeia de valor, industrializando seus recursos, especialmente minerais críticos, para evitar os erros do passado relacionados à exportação de matérias-primas. Ele reafirmou a posição estratégica do Brasil em uma geopolítica marcada por incertezas, especialmente relacionadas à energia limpa e biocombustíveis.