“A pressão política leva o real a cair, mas fundamentos externos sustentam sua tendência de alta a médio prazo.”

Goldman vê maior volatilidade com eleições, mas fundamentos limitam queda do real

O real brasileiro enfrentou pressão recentemente, com o dólar superando R$ 5, uma alta de mais de 2,3% em relação ao dia anterior. Este movimento ocorreu após a divulgação de uma reportagem que estabeleceu ligações entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro. Analistas consideram que a matéria pode enfraquecer a candidatura de Flávio, atualmente visto como um dos principais concorrentes de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro. No entanto, apesar da desvalorização, o real ainda se mantém mais de 7% abaixo do nível de câmbio observado no início de 2026.

De acordo com análise do Goldman Sachs, o desempenho do real neste ano foi sustentado por fatores como os altos juros no Brasil, a melhoria do apetite global por risco e os preços favoráveis das commodities exportadas. A apreciação da moeda está atrelada a variáveis externas, como a relação histórica do real com os termos de troca e o movimento das bolsas americanas. Embora o risco específico do Brasil tenha exercido um impacto limitado, mudanças no cenário político ganharam relevância, resultando em uma estimativa de depreciação de 1,1% no câmbio.

Episódios semelhantes foram observados anteriormente, como em dezembro de 2025, quando a moeda também desvalorizou em função de notícias eleitorais, mas esses efeitos foram temporários. Com as eleições se aproximando, a tendência é que a sensibilidade do câmbio a eventos políticos aumente, especialmente em um ambiente onde os investidores estão mais concentrados, o que pode intensificar as oscilações de curto prazo.

O Goldman Sachs acredita que, apesar do aumento esperado da volatilidade nos meses que antecedem a eleição, há espaço para uma depreciação moderada do real, contanto que as condições externas permaneçam favoráveis. A instituição destaca que, historicamente, a volatilidade do real tende a aumentar em períodos eleitorais, o que pode afetar as estratégias de investimento relacionadas ao “carry-to-vol”, um indicador que mede o retorno ajustado ao risco.