Experiência em Portugal mostra que jornada de trabalho de quatro dias pode aumentar produtividade sem elevar custos.

O que o Brasil pode aprender com a escala 4×3 em Portugal

O debate sobre a jornada de trabalho no Brasil se intensifica, especialmente diante das pressões para modificar a escala 6×1 e a crescente adoção de modelos mais flexíveis em outros países. Um exemplo notável é a experiência em Portugal, onde empresas estão testando a redução da jornada para quatro dias sem corte salarial. Esta iniciativa é relevante para o Brasil, que compartilha uma cultura de trabalho semelhante, ao contrário de nações nórdicas.

Os primeiros resultados dessa experiência portuguesa indicam que é possível manter a produtividade mesmo com jornadas mais curtas. Um estudo conduzido pelo economista Pedro Gomes, da Universidade de Londres, abrangeu 41 empresas de diversos setores, revelando que 52% delas planejam manter a jornada reduzida. Interessantemente, 86% das empresas relataram aumento nas receitas, enquanto mais de 90% não enfrentaram elevações de custos após a mudança.

Nesse contexto, as discussões sobre a jornada de trabalho vão além do tradicional. Estudos recentes mostram que trabalhadores priorizam crescimento e qualidade de vida mais do que apenas salários. A pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) destaca que o plano de carreira é considerado o critério mais importante para o “emprego ideal” por uma significativa parcela dos entrevistados.

Apesar do cenário desafiador no Brasil, onde a informalidade e diferenças de produtividade são marcantes, Gomes acredita que a adoção de jornadas reduzidas poderia trazer benefícios, como menos faltas e maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal, especialmente para mulheres. Esta reavaliação do modelo de trabalho tradicional reflete uma mudança global em direção a um paradigma de trabalho que valoriza mais a produção efetiva do que a mera presença física.