FMI alerta que incidentes cibernéticos extremos podem ameaçar a estabilidade financeira global e recomenda coordenação internacional para mitigar riscos.

FMI vê IA como potencial gatilho para crise cibernética no sistema financeiro

O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou um relatório nesta quinta-feira, 7, destacando que incidentes cibernéticos de grande magnitude podem gerar tensões financeiras, aumentar preocupações sobre a solvência e afetar mercados em geral. De acordo com a análise, modelos avançados de inteligência artificial (IA) têm o potencial de diminuir significativamente o tempo e os custos para identificar vulnerabilidades, o que eleva a probabilidade de exploração de fraquezas em sistemas amplamente utilizados.

Embora existam fatores que atuem como mitigadores, como as capacidades cibernéticas de IA ainda não estarem amplamente disponíveis e os softwares financeiros fechados serem mais difíceis de atacar, o FMI destaca que esse cenário pode mudar rapidamente. A análise adverte que “o confinamento temporário não substitui defesas duráveis”, uma vez que as capacidades de IA se espalham e novos vazamentos acontecem.

O relatório também enfatiza que a IA pode ser uma aliada na redução de vulnerabilidades durante a fase de desenvolvimento de softwares, em vez de apenas na correção após o lançamento. Para instituições financeiras, investir em integração, governança e supervisão humana pode resultar em uma redução significativa da exposição sistêmica, uma área que os supervisores precisam avaliar com mais rigor.

Além disso, o FMI pede uma coordenação internacional mais robusta para enfrentar ameaças cibernéticas, bem como um maior compartilhamento de informações e o desenvolvimento de capacidades que preservem a estabilidade financeira global. Destaca-se que economias emergentes e em desenvolvimento podem estar ainda mais vulneráveis, pois frequentemente enfrentam restrições de recursos, tornando-as alvos preferenciais de atacantes em busca de defesas mais fracas.