Ministério Público de SP rejeita delação de empresários investigados na Operação Carbono Oculto.

O Ministério Público de São Paulo rechaçou a proposta de delação premiada de dois empresários investigados na Operação Carbono Oculto, focada no combate ao braço financeiro do PCC na região da Faria Lima. A decisão foi tomada pelo procurador-geral de Justiça paulista, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, que alegou que os relatos de Mohamad Hussein Moraes, apelidado de “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, não apresentavam informações suficientes para conceder benefícios penais.
Ambos os empresários, considerados foragidos, buscavam negociar vantagens como redução de pena e anulação das ordens de prisão, oferecendo a devolução de cerca de R$ 1 bilhão aos cofres públicos. Contudo, o Ministério Público enfatizou que o impacto financeiro do esquema é significativamente maior, com estimativas de perdas superiores a R$ 4 bilhões em tributos.
A investigação revelou que o grupo utilizava empresas do setor de combustíveis e fintechs para movimentar dinheiro vinculado ao PCC e lavar recursos provenientes de atividades ilícitas. A estratégia dos empresários incluía a negação de vínculos diretos com a facção criminosa, além de tentativas de preservar seu patrimônio.
A Procuradoria também apontou que os investigados deixaram de fornecer informações essenciais para o progresso da operação, especialmente em relação a esquemas de lavagem de dinheiro e conexões operacionais com o PCC. Essa resistência ao acordo já havia sido observada na Procuradoria-Geral da República, onde o procurador-geral Paulo Gonet também desconsiderou a proposta por considerar as informações apresentadas inadequadas.