Presidente do TST divide juízes entre “azuis” e “vermelhos” em discurso sobre polarização e Justiça do Trabalho.

Presidente do TST fala em juízes ‘azuis’ e ‘vermelhos’

Durante o encerramento do 22º Congresso Nacional da Magistratura do Trabalho (Conamat), realizado em Brasília na última sexta-feira, 1, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, fez declarações que geraram controvérsia nas redes sociais. Ele dividiu os juízes trabalhistas em “azuis” e “vermelhos”, de forma a refletir a polarização política no Brasil, associando a cor vermelha ao governo do PT e a azul à oposição.

Ao longo de seu discurso, Mello Filho se posicionou em defesa da Justiça do Trabalho, criticando percepções que a veem como um “empecilho ao desenvolvimento sócio-econômico”, o que ele chamou de “terraplanismo jurídico”. Ele também destacou sua preocupação com práticas como a pejotização, que considera uma fraude, e afirmou que todos os juízes, independentemente de suas opiniões políticas, devem trabalhar para fortalecer a Justiça do Trabalho.

No entanto, ele foi enfático ao dizer que não existem juízes “azuis” ou “vermelhos”, e que sua atuação está voltada para causas, como a defesa das instituições e das pessoas vulneráveis. Em um momento de aplausos do público, Mello Filho reafirmou sua missão, declarando que sua preocupação é com aqueles que realmente necessitam da proteção da Justiça.

Os temas debatidos no congresso abrangiam questões relevantes, como o trabalho protegido, a precarização e o impacto das transformações tecnológicas nas relações laborais. Além disso, um painel focou na crise climática e seus efeitos diretos sobre o universo do trabalho, evidenciando a diversidade de assuntos tratados durante o evento.

Mello Filho, que assumiu a presidência do TST em setembro do ano passado, já havia se posicionado criticamente em relação a mudanças legislativas anteriores, ressaltando que o papel do tribunal é garantir o acesso à Justiça para todos, em conformidade com os preceitos da Constituição Federal.