Conflito entre Israel e Irã eleva preço do petróleo acima de US$ 100, acendendo alerta sobre inflação global.

O aumento das tensões entre Israel e Irã fez com que o preço do petróleo superasse a marca de US$ 100 por barril, intensificando as preocupações com a inflação entre os investidores globais. Essa situação gerou um descompasso, uma vez que os índices Nasdaq e S&P 500 continuaram a alcançar recordes históricos, o que divide especialistas em mercado financeiro e análise geopolítica. Enquanto alguns investidores acreditam que a crise será resolvida rapidamente, outros alertam que a situação permanece instável.
Durante o programa Expert Talks, da XP, economistas discutiram as implicações do conflito. Gustavo Campanha, gestor de ações globais, destacou que seu fundo, que opera no exterior, completou cinco anos com retorno acumulado de 210%, enquanto Fernando Fenolio, economista-chefe, mencionou que, inicialmente, a probabilidade de uma escalada militar era significativa, mas diminuiu após a redução de tensões pelo ex-presidente americano Donald Trump.
Fenolio também ressaltou os impactos econômicos da crise, com os preços do petróleo já ultrapassando os US$ 140 na Ásia. Ele citou a Lufthansa, que cancelou 20 mil voos devido ao aumento dos custos, e a Gol, que cortou rotas menos lucrativas para economizar combustível. O economista enumerou três principais obstáculos para um acordo definitivo: a situação no estreito de Ormuz, o futuro do programa nuclear iraniano e as relações entre Israel e Líbano.
A perspectiva é que o contexto de guerra traga efeitos inflacionários significativos nos próximos meses. Os combustíveis de aviação tiveram um aumento entre 30% e 100%, e a defasagem do diesel no Brasil pode chegar a 50%. Especialistas temem que esses fatores desencadeiem reações inesperadas na economia global no segundo semestre.