Investidores aproveitam queda nas avaliações das BDCs listadas, atraídos por oportunidades de compra.

Os investidores estão se aproveitando de oportunidades no mercado de fundos de crédito privado negociados em bolsa, conhecidos como business development companies (BDCs). As avaliações desses fundos atingiram em março os níveis mais baixos desde 2022, impulsionadas por preocupações com a exposição a empresas de software ameaçadas pela inteligência artificial. Alguns fundos não listados vivenciaram pedidos de resgate que superaram US$ 15 bilhões, criando um clima de cautela entre os acionistas e uma janela de compra para determinados investidores.
As BDCs, que têm suas ações trocadas em bolsa, experimentaram uma leve recuperação, com um índice registrando alta de cerca de 2,4% no mês. Acionistas aguardam a divulgação dos resultados financeiros das principais BDCs, como a Ares Capital Corp., que será realizada em 28 de abril. Essa revelação pode provocar uma nova onda de compras ou vendas, dependendo de como os portfólios estão se comportando em meio a eventuais perdas de crédito.
Além disso, investidores estão explorando a arbitragem entre fundos listados e não listados, trocando BDCs não listadas por aquelas listadas, que apresentam valor inferior ao patrimonial líquido. Essa estratégia visa maximizar retornos em meio a um cenário de incertezas econômicas. Contudo, especialistas alertam que não é prudente comprar sem considerar os riscos associados a potenciais perdas nos empréstimos destinados a empresas de software, que compõem cerca de 20% dos portfólios das BDCs.
Embora as avaliações das BDCs tenham se recuperado em parte, elas ainda estão abaixo dos níveis observados no início do ano. O índice Cliffwater BDC começou 2023 com aproximadamente 94% de seu valor patrimonial líquido, o que aponta para futuras oportunidades de valorização, desde que não ocorra um colapso significativo no mercado. Para muitos investidores, o movimento de venda atual parece ter sido exagerado.