PSOL-Rede denuncia Tarcísio de Freitas por uso indevido da estrutura pública em prol da privatizada Sabesp.

PSOL e Rede acionam MP-SP contra Tarcísio por posts sobre a Sabesp

O presidente da federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, protocolou uma representação contra o governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A representação, enviada ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), denuncia o uso da comunicação e das redes sociais do governo para promover a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) após sua privatização. A federação argumenta que essa conduta pode violar os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa, ao supostamente favorecer acionistas privados com recursos públicos.

Medeiros destaca que a utilização da máquina pública para fins de propaganda de uma corporação privada é inadmissível, especialmente quando cidadãos enfrentam problemas com a qualidade dos serviços prestados. O documento também questiona possíveis impactos dessas postagens no mercado financeiro, sugerindo que a divulgação de dados fora dos canais formais da Sabesp poderia criar assimetria de informações entre investidores.

A representação solicita que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) analise as negociações das ações da Sabesp em relação às publicações de Tarcísio, buscando eventuais oscilações ou movimentações atípicas. Além disso, foi pedido ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) que investigue o uso de verba pública na produção das postagens, enquanto o Ministério Público Federal (MPF) também foi acionado para possíveis repercussões.

Procurados para comentar sobre a situação, o governo e a Sabesp não se manifestaram até a publicação desta matéria. A privatização da Sabesp, concluída em julho de 2024, foi uma das principais iniciativas da gestão Tarcísio, que reduziu a participação do estado na companhia de 50,3% para 18,3%. O governador defendeu a desestatização como forma de melhorar os serviços de saneamento.