Corrida por IPOs de IA avança com Anthropic e OpenAI enfrentando desafios na monetização de suas tecnologias.

A tese que SpaceX, OpenAI e Anthropic não querem que você ouça antes dos IPOs

A corrida para abrir o capital das empresas de inteligência artificial está aquecida, com a Anthropic protocolando um pedido de IPO de forma confidencial e a OpenAI, conforme relatos, também se preparando para seguir esse caminho. As avaliações desses laboratórios são impressionantes, com a Anthropic avaliada em US$ 965 bilhões e a OpenAI em US$ 852 bilhões, cada uma buscando captar US$ 60 bilhões. Além disso, a SpaceX, com seu projeto de IA, visa uma listagem avaliada em US$ 1,75 trilhão, marcando um movimento de concentração de capital não visto desde a bolha das pontocom.

Apesar das altas avaliações, os desafios econômicos dessas empresas são evidentes. Muitas dessas organizações atendem a apenas 15% do mercado global de IA, focando em grandes corporações que possuem infraestrutura sofisticada e orçamentos sólidos. O CEO da OpenAI, Sam Altman, reconheceu que a preocupação com os altos custos da IA é uma crítica válida, especialmente frente à concorrência crescente de soluções mais acessíveis e de código aberto, que oferecem resultados semelhantes sem os mesmo custos elevados.

Outro ponto crucial é a identificação de setores com demanda não atendida, particularmente em áreas menos glamorosas que os laboratórios de ponta costumam negligenciar. O Índice de Evolução Digital 2026 indica que, enquanto as economias mais desenvolvidas como EUA e Europa estão focadas na atualização de sistemas obsoletos, economias em desenvolvimento, como Brasil e Índia, apresentam um potencial significativo por meio de modelos de concessão de crédito baseados em IA. Essas regiões têm um grande número de usuários de carteiras digitais que ainda carecem de acesso a crédito formal.

Por fim, a história mostra que o verdadeiro valor reside em quem oferece a infraestrutura necessária, e não necessariamente nos primeiros a entrar no mercado. Estruturas de dados e contratos de modernização são onde a demanda real se concentrará. Assim, a corrida por IPOs não se resume a inovações, mas sim à capacidade de atender necessidades latentes e garantir um fluxo contínuo de receita, mesmo que a narrativa atual sobre o potencial da IA ainda careça de dados concretos que comprovem seu sucesso econômico.