Setor da construção civil enfrenta dificuldades financeiras devido à morosidade no crédito, reduzindo projeção de crescimento.

A construção civil enfrenta um cenário desafiador que compromete a viabilidade de empreendimentos em várias partes do Brasil. Com um cenário de juros e inflação elevados, as empresas lidam com prazos longos, que podem chegar a até 90 dias, para a liberação de recursos nas instituições financeiras tradicionais. Essa demora impacta negativamente o fluxo de caixa das incorporadoras e prejudica os cronogramas físicos das obras, levando muitas a buscar alternativas no mercado de capitais.
O desempenho do setor no primeiro trimestre de 2026 foi positivo, registrando a criação de mais de 120 mil empregos e mantendo cerca de 3 milhões de trabalhadores formais. No entanto, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) reavaliou sua previsão de crescimento para o ano, reduzindo-a de 2% para 1,2%. A elevação dos custos com materiais, influenciada pelos preços do petróleo e tensões internacionais, assim como a manutenção da taxa Selic elevada, são apontadas como principais obstáculos à atividade econômica do setor.
Apesar da recuperação no crédito tradicional nos primeiros meses de 2026, que alcançou R$ 14,4 bilhões, a burocracia dos bancos ainda representa um entrave significativo. A espera prolongada para a liberação de crédito obriga construtoras a adiar compras essenciais e paralisar etapas de obras, complicando ainda mais a situação financeira das empresas.
Em resposta a esses desafios, o mercado de crédito privado tem se tornado uma alternativa viável. O movimento nesse setor cresceu 22,5% no primeiro trimestre, com destaque para os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que apresentam uma captação líquida de R$ 4,5 bilhões em abril. Esse modelo oferece liquidez imediata às empresas, permitindo superarem os obstáculos impostos pela lentidão bancária e respondendo à demanda tanto de incorporadoras quanto de investidores.
As incorporadoras de médio porte, em especial, têm encontrado no FIDC uma solução eficaz para contornar as dificuldades com os grandes bancos, uma vez que operam em um ambiente de juros altos e necessitam de capital imediato para a continuidade de seus projetos. Especialistas ressaltam que a diversificação nas fontes de financiamento é fundamental para garantir a sustentabilidade e o progresso das obras no setor.