“Bradesco aponta normalização do câmbio real após anos de depreciação, com dólar acima de R$ 6,20.”

Nos últimos anos, a taxa de câmbio nominal do Brasil atingiu níveis historicamente altos, ultrapassando R$ 6,20 ao final de 2024. Porém, o Bradesco indica que a recente movimentação do câmbio real sugere uma fase de normalização, após um prolongado período de depreciação. Rafael Murrer, analista do banco, ressalta que a valorização nominal da moeda brasileira se tornou o principal fator para a apreciação real, com a inflação interna contribuindo significativamente nesse processo.
Ao final de maio, o câmbio real teve uma apreciação de R$ 0,69 devido ao câmbio nominal e R$ 0,23 em função da inflação doméstica, quase totalmente compensada pela inflação nos Estados Unidos. Este cenário, apesar de contribuir para a manutenção de um câmbio real elevado, é considerado raro em comparação com ciclos anteriores.
Historicamente, entre 1980 e 2026, a média do câmbio real foi de R$ 4,08. Após a adoção do regime de câmbio flexível em 1999, essa média é de R$ 4,42, enquanto a média móvel de dez anos se aproxima de R$ 4,98. O levantamento do Bradesco revela que a única métrica que indica um câmbio real apreciado é a média móvel de cinco anos, refletindo os efeitos recentes da pandemia.
Os analistas destacam ainda que os ciclos cambiais no Brasil tendem a ser prolongados, podendo durar cerca de uma década. Apesar da atual valorização, Murrer alerta que isso não implica necessariamente em um longo período de câmbio apreciado, enfatizando a complexidade do cenário econômico.