Conflito no Oriente Médio provoca alta nos preços de bens industriais, alterando perspectivas de inflação no Brasil.

A guerra no Oriente Médio tem provocado um impacto significativo nas cadeias produtivas globais, especialmente no fornecimento de petróleo e matérias-primas. Essa situação alterou a dinâmica desinflacionária de bens industriais, que, antes, não eram uma grande preocupação para economistas e o Banco Central. Em abril, os bens industriais aumentaram 0,61%, quase o dobro da taxa de 0,32% do mês anterior, e essa tendência de alta deve continuar ao longo do segundo semestre, segundo profissionais do mercado.
Apesar de ainda estarem abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou 4,39%, os bens industriais podem chegar a uma elevação de 4% até o final do ano, o que poderá dificultar a queda da inflação. Com 23% de peso na cesta do IPCA, esses itens mostraram estabilidade em anos anteriores, mas agora a pressão do aumento de preços, especialmente devido ao petróleo, já é percebida no atacado, impactando os custos industriais e logísticos.
Recentemente, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) indicou uma reversão no desempenho favorável dos bens industriais. O núcleo industrial, que exclui itens como gás e alimentos, também apresentou aumento, evidenciando um cenário menos otimista para os consumidores. Analistas destacam que o encarecimento das embalagens plásticas e itens de higiene pessoal são reflexos diretos desse choque de oferta.
Ainda que o real tenha se desvalorizado em relação ao dólar, essa dinâmica não tem coibido a pressão sobre os preços, e a expectativa é que, apesar de algumas categorias ainda mostrarem resultados negativos em 12 meses, a elevação de preços se torne uma realidade nos próximos meses. A influência da economia chinesa, em combinação com o aumento do custo do petróleo, tem contribuído para essa escalada nos preços dos bens industriais, refletindo uma inflação crescente nos mercados emergentes.