Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 9,7 bilhões em abril, compensando déficit em conta corrente.

Balança comercial compensa dado externo pior em renda primária e serviços

A balança comercial brasileira apresentou um desempenho positivo em abril, o que ajudou a compensar o déficit em transações correntes. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, o déficit foi de US$ 1,8 bilhão no mês, mantendo-se estável em US$ 64,3 bilhões nos últimos 12 meses, equivalente a 2,66% do PIB. A economista Luiza Pinese, da XP, ressalta que a renda primária teve um déficit de US$ 6,8 bilhões, acima da expectativa inicial.

O superávit comercial alcançou US$ 9,7 bilhões em abril, um aumento em relação ao mesmo mês do ano anterior, impulsionado principalmente pela exportação de petróleo bruto e soja. As importações, por outro lado, foram afetadas pelo adiantamento na compra de veículos chineses. Pinese acredita que a balança comercial continuará a ser um fator crucial para a melhoria das contas externas em 2026, apesar do aumento contínuo nas importações.

Leonardo Costa, economista do ASA, adverte que o déficit em contas de serviços e renda primária pode continuar pressionando o saldo em conta corrente. O déficit em serviços atingiu US$ 5,0 bilhões em abril, com destaque para o aumento nas despesas de brasileiros no exterior. Já a conta de investimentos diretos no país foi positiva, com ingressos líquidos de US$ 8,9 bilhões em abril, superando o valor do ano anterior.

André Valério, economista sênior do Inter, destaca que, embora o país registre um déficit, sua posição externa permanece sólida, financiada por investimentos diretos. Ele menciona a preocupação com a saída de capitais via stablecoins, que já ultrapassa US$ 20 bilhões nos últimos 12 meses, mas considera a situação atual do Brasil favorável para atrair novos recursos em dólares.