Euforia pela inteligência artificial gera ruídos, mas adoção no mundo corporativo ainda está em seus primeiros passos, segundo Gabriel Raoni.

Inteligência Artificial ainda engatinha nas empresas, diz gestor da IP Capital

A empolgação em torno da inteligência artificial (IA) está gerando mais expectativa do que resultados concretos nas empresas, segundo Gabriel Raoni, sócio e cogestor da IP Capital Partners. Ele destacou que a adoção dessa tecnologia está apenas começando, tanto no Brasil quanto internacionalmente, e advertiu que o mercado financeiro tem cometido o erro de tratar tendências de curto prazo como se fossem permanentes. Raoni utilizou o exemplo do CEO da Microsoft, Satya Nadella, que previu uma queda nas margens de lucro do Google devido à IA, quando, na realidade, essas margens aumentaram.

Durante uma entrevista ao programa Stock Pickers, Raoni comentou que a revolução da IA difere das ondas tecnológicas anteriores, como a internet e a computação em nuvem, pois esta começou de maneira massiva com ferramentas como o ChatGPT, e agora está sendo absorvida pelas empresas. Ele observou que, ao contrário de inovações passadas que primeiro impactaram governos e empresas, a IA teve sua popularização inicial voltada para o público em geral.

O gestor indicou que o cenário atual é mais “barulhento” do que os anteriores, refletindo em volatilidade nos mercados. Ele ressaltou que as avaliações de empresas mudam rapidamente, com o Google, que há um ano era visto negativamente, ganhando novamente a confiança dos investidores.

Nos números, os investimentos das grandes empresas de tecnologia cresceram substancialmente, prevendo-se um aumento dos investimentos combinados de Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Oracle de cerca de US$ 130 bilhões para aproximadamente US$ 413 bilhões entre 2023 e 2025. A demanda também cresce, com o consumo de “tokens” — que mede o uso da tecnologia — superando recordes.