Copa do Mundo provoca queda no fluxo de consumidores em lojas de moda, apesar do aumento nas vendas de produtos esportivos.

A Copa do Mundo é uma oportunidade para o varejo brasileiro, mas o setor de moda enfrenta desafios significativos durante o torneio. Segundo dados da IEMI – Inteligência de Mercado, enquanto o mercado de artigos esportivos alcançou R$ 61,4 bilhões em 2025, com R$ 20,5 bilhões provenientes de produtos relacionados ao futebol, as lojas de moda tradicional sofrem com a queda de fluxo de consumidores. Marcelo Prado, diretor do IEMI, explicou que esse fenômeno representa um “efeito duplo”, onde a demanda por produtos esportivos aumenta, mas o varejo de moda enfrenta dificuldades.
O desempenho da seleção brasileira tem grande influência nas vendas. Quando a equipe avança no torneio, há um aumento na procura por camisas e outros itens relacionados ao futebol. Dados do Índice do Varejo Stone mostraram que o segmento de vestuário e calçados cresceu 1,3% em abril, possivelmente refletindo o impacto inicial da Copa. Uma pesquisa da CNDL revelou que 60% dos brasileiros planejam comprar produtos vinculados ao evento, como bebidas e itens de moda, com destaque para camisas oficiais.
No entanto, a Copa também representa uma queda no movimento nas lojas de moda. Durante os jogos, muitos consumidores optam por acompanhar as partidas em vez de fazer compras, especialmente em shopping centers. Historicamente, a Copa do Mundo impactou o varejo de moda de maneira negativa, com quedas registradas em diversas edições. Para 2026, a expectativa é de que a desaceleração do fluxo físico se intensifique, o que pode afetar setores mais dependentes de lojas físicas.
A situação é ainda mais preocupante pelo fato de a competição ocorrer em um período crítico para as vendas de inverno. O início da estação é crucial, e o varejo de moda pode enfrentar dificuldades para comercializar coleções mais pesadas e caras. Apesar desses desafios, o e-commerce oferece um alívio, com cerca de 10% das vendas de roupas ocorrendo online, permitindo que parte da demanda seja atendida fora das lojas físicas. Os consumidores continuam a adotar um comportamento misto, com uma crescente preferência por compras pela internet.