Banco do Brasil registra queda de 53,5% no lucro do 1T26 e revisa projeções para 2026, enfrentando desafios no setor agro.

O Banco do Brasil (BB) registrou um lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o que representa uma queda de 53,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O resultado, divulgado em 13 de junho, ficou abaixo das expectativas de analistas, que projetavam um lucro de R$ 3,495 bilhões. Quando comparado ao trimestre anterior, o lucro apresentou uma diminuição de 40,2%. A presidente-executiva do banco, Tarciana Medeiros, destacou que esse desempenho reflete um ambiente desafiador na área de crédito, principalmente no setor agrícola.
A carteira de crédito do banco atingiu R$ 1,3 trilhão, mostrando um crescimento de 2,2% em relação ao ano anterior e de 0,7% em relação a dezembro de 2025. No entanto, a inadimplência acima de 90 dias aumentou para 5,05%, superior aos 3,63% registrados um ano atrás. Além disso, o Banco do Brasil revisou suas projeções de lucro para 2026, passando a estimar um intervalo entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões, enquanto o custo de crédito foi elevado para R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões.
Os analistas comentam que, apesar de as receitas líquidas de juros terem apresentado um bom desempenho, essa melhora foi ofuscada pela deterioração da qualidade do crédito. Fazendo um alerta, a Genial Investimentos mencionou que as recuperações judiciais no setor do agronegócio têm aumentado, o que eleva o risco de novos problemas financeiros. O cenário permanece desafiador, especialmente com a concentração de novos vencimentos atrelados a safras anteriores com qualidade de crédito reduzida.
Com o novo guidance indicando um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) em torno de 10% para 2026, abaixo do custo de capital do banco, analistas estão cautelosos quanto ao desempenho das ações BBAS3. A perspectiva de incerteza em relação à recuperação da qualidade dos ativos e à rentabilidade sugere que as ações devem continuar a ser negociadas a múltiplos baixos, o que reforça a recomendação de manutenção em suas operações e uma vigilância nas revisões futuras das projeções.