Kassio Nunes Marques assume a presidência do TSE em meio a desafios eleitorais e preocupações com o uso de inteligência artificial.

O ministro Kassio Nunes Marques assume a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na próxima terça-feira, marcando o início de uma nova fase na Corte. Ele liderará a instituição, que será gerida por ministros indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, nas próximas duas eleições. Seu vice e futuro sucessor será o ministro André Mendonça, conhecido por seu estilo discreto e imparcial. Mendonça já adiantou que a nova gestão terá como princípios “discrição, imparcialidade e fundamentação de decisões”.
Nunes Marques toma posse a cerca de cinco meses do primeiro turno das eleições, devido à antecipação da saída da ministra Cármen Lúcia, que foi a primeira mulher a presidir a Corte em duas eleições. Com sua saída, a expectativa é que o TSE não tenha outra mulher na presidência por, pelo menos, 18 anos, a menos que uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) seja ocupada por uma mulher.
A saída de Cármen Lúcia foi antecipada em razão de sua preocupação com a tranquilidade administrativa da Corte durante o período eleitoral. Ela destacou que as eleições deste ano serão complexas, dado o número significativo de cargos que os eleitores terão que decidir. A transição na presidência foi planejada para garantir um processo mais equilibrado e calmo.
Além disso, a nova gestão também poderá impactar a dinâmica do colegiado, uma vez que o ministro Dias Toffoli à aposentadoria de Cármen Lúcia. Toffoli já deve participar da sessão plenária marcada para quinta-feira. Nunes Marques, que será o responsável por coordenar as eleições de 2026, também tem a difícil tarefa de lidar com os desafios trazidos pelo avanço da inteligência artificial, especialmente no que diz respeito à disseminação de deepfakes, estabelecendo restrições para o uso desse tipo de conteúdo durante o período eleitoral.