Ambev surpreende com resultados positivos no 1T26, mas analistas permanecem cautelosos quanto à sustentabilidade do crescimento.

A Ambev (ABEV3) revelou resultados impressionantes no primeiro trimestre de 2026, levando suas ações a uma alta superior a 15% na sessão subsequente ao anúncio, realizado na última terça-feira (5). Apesar do desempenho positivo, muitos analistas permanecem cautelosos: de 14 recomendações feitas por analistas da LSEG, 8 sugerem manutenção, 4 recomendam venda e apenas 2 indicam compra. Esse receio se deve à busca por uma consistência maior nos números financeiros da empresa.
De acordo com o Bradesco BBI, o trimestre da Ambev demonstrou indicadores que atendiam às expectativas dos investidores, como crescimento em volumes de Cerveja Brasil, que subiu 1,2% ano a ano, mesmo com uma base de comparação desafiadora. A receita líquida por hectolitro teve um aumento de 8% em relação ao ano anterior, o mais significativo desde 2023, impulsionado por um mix mais favorável e iniciativas de gestão de receita implementadas no início do ano.
A análise aponta que a reestruturação do portfólio da Ambev, focando em produtos premium, está começando a refletir em aumento de preços e participação de mercado. O Bradesco BBI revisou suas estimativas de lucro líquido para a empresa em 3%, agora projetando R$ 15,5 bilhões para 2026. Apesar da elevação do preço-alvo das ações de R$ 14 para R$ 15, a recomendação permanece neutra, à espera de comprovações mais definitivas de crescimento sustentado nos lucros.
Em uma conferência com investidores, realizada pelo JPMorgan, o CEO e o CFO da Ambev mostraram confiança quanto ao desempenho da empresa e seus planos estratégicos. Entretanto, analistas expressaram preocupações sobre a sustentabilidade do crescimento em participação de mercado e como os concorrentes poderiam reagir às perdas da companhia. Assim, ainda que o primeiro trimestre de 2026 tenha promovido um otimismo, a necesidade de uma maior clareza a longo prazo sobre o crescimento dos lucros persiste.