Crescimento no emprego não alivia endividamento das famílias, que alcança 49,9% da renda.

Renda recorde do brasileiro é engolida por dívidas e juros, aponta estudo do CLP

O mercado de trabalho brasileiro tem mostrado sinais de aquecimento, como aumento da renda e crescimento no número de vagas, no entanto, isso não se traduz em alívio financeiro para a população. Um estudo do Centro de Liderança Pública (CLP), divulgado nesta sexta-feira (8), revela que grande parte dos ganhos salariais está sendo destinada ao pagamento de dívidas e juros. Esse cenário reafirma a questão do endividamento das famílias como um ponto central na política econômica do país.

No último trimestre até janeiro de 2026, a renda média real alcançou R$ 3.652, com a massa de rendimento totalizando R$ 370,3 bilhões. A população ocupada também atingiu 102,7 milhões de pessoas. Em contrapartida, dados do Banco Central indicam que, em fevereiro, as dívidas das famílias chegaram a 49,9% da renda, igualando um pico histórico. O comprometimento da renda aumentou ligeiramente, evidenciando que quase um terço dos ganhos já está destinado a quitar dívidas.

Daniel Duque, do CLP, ressalta que essa realidade transforma um problema econômico em um desgaste político, destacando que, apesar da criação de empregos, a situação financeira dos trabalhadores se deteriora devido ao aumento simultâneo das dívidas. Enquanto isso, o crédito consignado tem sido uma alternativa buscada para aliviar o peso das dívidas, com um crescimento expressivo nas concessões no setor privado.

Entretanto, o banco central já havia alertado sobre os riscos desse modelo, que pode aumentar o total de endividamento, em vez de apenas substituí-lo. A análise também aponta que a atual política fiscal está se aproximando de seus limites, com a dívida bruta do governo projetada para subir nos próximos anos, o que limita a capacidade de aumentar gastos e investimentos públicos.

Diante deste quadro, o CLP defende a necessidade de controlar o crescimento das despesas públicas e de adotar medidas mais ousadas, como a venda de ativos subutilizados, para reduzir dívidas e liberar recursos para investimentos que propiciem um crescimento sustentável.