Governo Milei enfrenta crise econômica e corrupção, com queda acentuada na popularidade

O governo de Javier Milei enfrenta um período crítico na Argentina, marcado por escândalos de corrupção, baixos índices de popularidade e uma atividade econômica em declínio. A inflação, que havia sido controlada, voltou a acelerar, alcançando 3,4% em março. Milei reconheceu publicamente as dificuldades econômicas enfrentadas pelo país, afirmando que “o dado é ruim”.
A atividade econômica apresentou uma retração de 2,6% em fevereiro, enquanto a produção industrial caiu 4%, refletindo uma queda acumulada de 8,7% em 12 meses. Especialistas, como Paulo Gala, da Fundação Getulio Vargas, consideram que o plano econômico de Milei é “simplista” e não é suficiente para reverter a situação. Gala destaca que a desconfiança na moeda local, o peso, tem levado a população a dolarizar contratos, agravando a inflação.
Além dos problemas econômicos, o governo de Milei é impactado por investigações de corrupção, incluindo um caso envolvendo o chefe de gabinete, Manuel Adorni. Pesquisas indicam que mais de 60% da população desaprova a gestão de Milei, e a corrupção é vista como o principal desafio, superando até questões econômicas ou de emprego. O cientista político Leandro Gabiati comentou que a imagem do governo se vê desgastada diante de promessas não cumpridas de combate à corrupção.
Em meio a esses desafios, uma leve melhora foi observada, com a consultoria Fitch Rating elevando a nota de crédito da Argentina. Contudo, economistas alertam que isso não altera de forma significativa o cenário econômico do país. O governo também enfrentou críticas após restringir a entrada de jornalistas na Casa Rosada, medida que foi revertida após protestos relacionados à liberdade de imprensa.