Governo deve decidir sobre o aumento da mistura de biodiesel no diesel para junho, podendo impactar vendas e margens no agronegócio.

Volta do B16 ganha força com alta do diesel e BBI cita vencedora em potencial na B3

A Lei do Combustível do Futuro, que previa o aumento da mistura de biodiesel ao óleo diesel mineral de 15% para 16% (B16), teve sua implementação adiada para 2027. No entanto, o presidente Lula indicou um potencial retorno ao plano inicial, o que poderá ser debatido na reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) agendada para 7 de maio. Se o novo aumento for aprovado e aplicado em junho, o Bradesco BBI estima que as vendas de biodiesel deverão alcançar 10,8 bilhões de litros em 2026.

Com uma expectativa de crescimento na demanda por diesel no Brasil de 2% ao ano, as vendas do diesel B devem atingir 69,6 bilhões de litros em 2026. O aumento da mistura B16 poderá impactar positivamente a indústria de esmagamento de soja no país, que já apresentava margens saudáveis no primeiro trimestre de 2026. O BBI acredita que o aumento na mistura de biodiesel fortalecerá a demanda por óleo de soja, beneficiando os preços do biodiesel.

O BBI destacou a 3tentos (TTEN3) como uma das empresas que pode se beneficiar dessa mudança, uma vez que o segmento de esmagamento representa cerca de 49% das receitas estimadas da companhia para 2026. Além disso, a 3tentos tem aumentado sua capacidade de processamento, que chegou a 59 milhões de toneladas em 2025, refletindo um crescimento significativo nos últimos anos.

A ampliação da produção de biodiesel também tem levado a um aumento na oferta doméstica de óleo de soja. Para o BBI, a adoção do B16 ajudaria a equilibrar essa oferta e demanda, sustentando os preços locais do biodiesel e impactando positivamente as margens de esmagamento e refino. A expectativa é que, com esse cenário, a 3tentos se mantenha como uma escolha de destaque no setor do agronegócio.