Demanda global de passageiros cresce 2,1% em março, mas companhias do Oriente Médio enfrentam queda de 60,8%.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) revelou que a demanda global por passageiros em março de 2026 foi impactada pela interrupção das operações aéreas no Oriente Médio. Os quilômetros pagos por passageiro (RPK) cresceram 2,1% em relação a março de 2025, mas, fora das áreas de conflito, este aumento chegou a 8%. Em contrapartida, a capacidade oferecida, medida em assentos-quilômetro (ASK), caiu 1,7%, enquanto o fator de ocupação dos voos ficou em 83,6%, apresentando uma alta de 3,1 pontos percentuais.
De acordo com a IATA, a redução na demanda internacional foi de 0,6% em março em comparação ao ano anterior, com uma diminuição de 6,2% na capacidade. As companhias do Oriente Médio sofreram uma queda acentuada de 60,8% na demanda e uma redução de 56,9% na capacidade, consequência direta do conflito entre EUA, Israel e Irã, que afetou diretamente o tráfego aéreo na região.
No cenário doméstico, o Brasil destacou-se com um aumento notável de 10,8% nos RPK, apenas inferior ao da China, que alcançou 13,7%. A capacidade no Brasil também cresceu, com um aumento de 8,7% em ASK. Willie Walsh, diretor-geral da IATA, alertou sobre uma possível escassez de querosene de aviação e o aumento significativo dos preços do combustível, o que pode afetar as tarifas e, consequentemente, a demanda futura.
No segmento de carga aérea, os efeitos do conflito foram ainda mais pronunciados, com uma queda de 4,8% na demanda total em comparação com março de 2025. As companhias do Oriente Médio apresentaram o pior desempenho, com uma redução de 54,3% na demanda. Apesar das dificuldades, a IATA destacou que as redes de carga aérea estão se adaptando às pressões geopolíticas e ajudando a manter as cadeias de suprimentos globais funcionando.