Santander Brasil apresenta lucro abaixo das expectativas no 1T26, com aumento da inadimplência e queda na qualidade dos ativos.

O Santander Brasil (SANB11) registrou um lucro líquido recorrente de R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, apresentando uma queda de 7% em relação ao quarto trimestre de 2025 e um recuo de 1,9% na comparação anual. Esse resultado ficou cerca de 6% abaixo das expectativas de analistas, refletindo a deterioração da qualidade dos ativos e um desempenho fraco na receita de crédito, conforme apontaram avaliações do Goldman Sachs e do JPMorgan. Em resposta, as ações SANB11 operavam em queda de 1,16%, cotadas a R$ 29,08.
A margem financeira líquida apresentou uma leve queda de 1% na comparação anual, embora tenha subido 3% em relação ao trimestre anterior. O resultado foi influenciado pela margem com mercado, que permaneceu negativa em R$ 800 milhões. A carteira de crédito também mostrou sinais de fragilidade, com um crescimento limitado de 2% a 3% no ano e uma queda de cerca de 1% no trimestre, principalmente no segmento de pessoas físicas, que foi parcialmente compensado pelo crédito ao consumo.
A inadimplência voltou a subir, com o índice de créditos inadimplentes acima de 90 dias chegando a 3,3%, um aumento de 20 pontos-base no trimestre e 50 pontos-base em um ano. O volume de novos créditos em atraso atingiu R$ 7,2 bilhões no período. Apesar desse cenário, o índice de cobertura do Stage 3 aumentou para 67,6%, embora analistas alertem que a cobertura dos NPLs acima de 90 dias pode ter diminuído.
Por outro lado, o banco demonstrou controle de custos, mantendo as despesas operacionais estáveis e reduzindo o número de funcionários e agências. O índice de eficiência melhorou, atingindo 37,7%. Contudo, a métrica de solvência CET1 caiu para 11,2%, devido a mudanças regulatórias e aumento de ativos ponderados pelo risco. Analistas consideram o resultado do trimestre fraco, mas antecipado, prevendo que uma melhora nos resultados depende de uma estabilização da inadimplência e uma recuperação clara na expansão do crédito.