Tensões no Oriente Médio comprometem a navegação e afetam o mercado global de fertilizantes, impactando a inflação de alimentos no Brasil.

As expectativas de um alívio na navegação pelo Estreito de Ormuz, após a liberação total da passagem para navios comerciais, foram rapidamente frustradas. Com a intensificação das tensões, especialmente após a apreensão de um carregamento iraniano pela Marinha dos Estados Unidos, a movimentação na região se tornou novamente arriscada. Essa situação já impactou o mercado global de fertilizantes, sendo a área responsável por cerca de 20% do fornecimento mundial, o que afeta diretamente a inflação de alimentos no Brasil, importador de 85% de seus insumos agrícolas.
A complexidade logística que envolve a retomada do abastecimento no comércio internacional pode demorar. Especialistas alertam que os armadores hesitam em liberar navios retidos até que garantias de segurança sejam estabelecidas. A reabertura do estreito não garante a normalização imediata dos fluxos de comércio, levando meses para que novos carregamentos cheguem aos portos brasileiros, como Santos e Paranaguá.
Além das dificuldades logísticas, a infraestrutura da região foi severamente danificada por conflitos, impactando diretamente a produção de fertilizantes, como a ureia. O diretor acadêmico do FDC Agroambiental, Marcello Brito, destaca que não há expectativa de retorno dos preços a níveis normais em curto prazo, dado que a recuperação das instalações danificadas pode levar de três a cinco anos.
A situação é ainda mais crítica com o aumento das políticas protecionistas em outros grandes produtores, como a China, que já restringiu exportações de fertilizantes para garantir o abastecimento interno. Diante desse cenário, o poder de compra dos agricultores brasileiros já foi negativamente afetado, tornando a logística de fertilizantes um fator decisivo para o próximo ciclo agrícola do país.
O governo brasileiro busca alternativas para minimizar a dependência externa em fertilizantes. No entanto, a realidade atual é marcada por uma queda significativa de 17,25% nas exportações de fertilizantes brasileiros no primeiro trimestre de 2026, refletindo um cenário adverso. Com a alta dos insumos e a incerteza do abastecimento, os preços dos alimentos devem continuar elevados nas prateleiras dos supermercados.