Estudo aponta que jogos de apostas têm impacto insignificante na renda familiar, contrariando críticas do governo Lula.

Um estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) contestou a posição do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o impacto das apostas na renda das famílias. A pesquisa, realizada pela consultoria LCA, aponta que gastos com apostas representam apenas 0,46% do consumo familiar, sugerindo que esses gastos não são os principais responsáveis pelo aumento do endividamento.
O IBJR, que reúne grandes empresas do setor, foi alvo de críticas do governo, que apresentou um projeto para proibir as apostas no país. Este projeto busca revogar partes do marco legal atual e inviabilizar a operação e o processamento de transações das plataformas de apostas. Lula tem classificado as bets como um “assalto” ao orçamento das famílias, que já enfrentam dificuldades econômicas.
Os dados da pesquisa revelam que, em 2025, o consumo total do brasileiro foi de R$ 8,1 trilhões, com gastos em apostas somando R$ 37 bilhões, próximo ao que foi gasto em bebidas alcoólicas. Entretanto, a falta de segmentação por faixa de renda limita a análise do impacto real das apostas sobre o endividamento.
Contrapondo essas informações, um levantamento do Procon de São Paulo revelou que quatro em cada dez apostadores se endividaram após utilizar serviços de apostas. A pesquisa identificou que homens jovens, principalmente com renda inferior a dois salários mínimos, são os mais afetados. Por outro lado, um estudo da FIA Business School indicou que o avanço das apostas online contribui mais para o endividamento das famílias do que fatores tradicionais, como juros e crédito. Estima-se que 39,5 milhões de brasileiros tenham usado serviços de apostas no último ano, com 19% afirmando ter comprometido sua renda.