Eleições na Hungria podem significar o fim da hegemonia de Viktor Orbán frente ao novo Partido Respeito e Liberdade.

As eleições parlamentares na Hungria, que ocorrerão neste domingo (12), representam um grande desafio para o primeiro-ministro Viktor Orbán. O partido conservador Fidesz, que está no poder desde 2010, enfrenta a crescente popularidade do Partido Respeito e Liberdade (Tisza), liderado pelo ex-aliado Péter Magyar. Desde o ano passado, o Tisza tem liderado as intenções de voto em pesquisas independentes e, nas últimas medições, ampliou sua vantagem. Se as projeções se confirmarem, o Tisza pode conquistar até dois terços dos votos, o que ameaça o projeto de democracia iliberal que Orbán vem promovendo há 16 anos.
Orbán implementou um sistema que combina controle social rigoroso e restrições à oposição, limitando a liberdade de expressão e a autonomia da mídia. Ele também reformulou as leis eleitorais, reduzindo o número de cadeiras no Parlamento de 386 para 199 e adotando um sistema híbrido de eleição. Esse esquema lhe permitiu manter a hegemonia em eleições anteriores, mas agora pode se voltar contra ele. O descontentamento com questões como corrupção e uma crise moral ligada a um caso de pedofilia fez a popularidade de seu partido despencar.
As últimas projeções indicam que o Tisza pode eleger entre 138 e 143 deputados, enquanto o Fidesz poderia conseguir de 49 a 55 assentos. O partido de extrema-direita Movimento pela Pátria (Mi Haznk) teria uma representação deslocada no novo Parlamento. O Tisza é particularmente popular entre os jovens, com 75% dos eleitores com menos de 30 anos e 63% dos que têm entre 30 e 40 anos dispostos a votar na sigla. Em contrapartida, o apoio ao Fidesz nesses grupos é muito baixo.
A política externa também influenciou a corrida eleitoral. Donald Trump enviou seu vice, JD Vance, para reafirmar o apoio a Orbán, que, por sua vez, associou adversários políticos, como o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, a Magyar em material de campanha. A expectativa em relação ao resultado das eleições evidencia uma mudança no atual cenário político da Hungria.