Escritório de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025.

O escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, recebeu R$ 80,2 milhões em pagamentos do Banco Master entre 2024 e 2025. A informação, divulgada pelo portal G1 e confirmada pelo Estado, foi encaminhada à CPI do Crime Organizado, do Senado, e está presente na declaração de Imposto de Renda da instituição financeira, que foi liquidada pelo Banco Central. Em resposta, o escritório afirmou que as informações são incorretas e vazadas de forma ilícita, reforçando que todos os dados fiscais são sigilosos.
Os registros indicam que o Banco Master estabeleceu uma relação comercial com o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia, com um contrato iniciado em 2024. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos. Documentos da CPI mostram que foram realizados 22 pagamentos de R$ 3.646.529,72 entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, momento em que o Banco Central decretou a liquidação do banco.
Adicionalmente, Moraes e Viviane realizaram ao menos oito voos em aeronaves particulares de uma empresa vinculada a Daniel Vorcaro entre maio e outubro de 2025. Em um desses voos, Moraes teria viajado de Brasília a São Paulo e, no dia seguinte, se reunido com o banqueiro. O escritório de Viviane explicou que utiliza serviços de táxi aéreo e que os valores são compensados com honorários advocatícios, conforme acordos contratuais.
O gabinete do ministro Alexandre de Moraes afirmou que ele nunca viajou em aviões de Daniel Vorcaro ou esteve na companhia do banqueiro. No entanto, não se manifestou sobre os voos realizados em aeronaves pertencentes a empresas ligadas a Vorcaro. Desde que Moraes se tornou ministro, em março de 2017, ele e sua esposa tiveram um aumento significativo em seu patrimônio, alcançando 17 imóveis avaliados em R$ 31,5 milhões, com despesas de R$ 23,4 milhões em aquisições nos últimos cinco anos. As informações sobre esses imóveis foram obtidas por meio de documentos públicos.