Governo lança pacote de subsídios para controlar preços dos combustíveis em meio à guerra no Irã.

O governo brasileiro anunciou, na segunda-feira (5), um pacote de subsídios com o objetivo de estabilizar os preços dos combustíveis e evitar que a guerra no Irã impacte a inflação domestica. O Ministério da Fazenda incluiu benefícios para o gás liquefeito de petróleo (GLP) e apoio às companhias aéreas. Para o diesel, o incentivo total chega a R$ 1,12 por litro para os produtores e R$ 1,52 para os importadores. O mercado já previa a possibilidade dessa ação, com investidores ajustando suas expectativas.
O banco Goldman Sachs, no entanto, exprimiu ceticismo sobre a execução do pacote, questionando a falta de clareza sobre como os subsídios serão implementados e os critérios de precificação. Além disso, os principais distribuidores de diesel, que possuem uma fatia significativa das importações, não foram incluídos no programa anterior e correm o risco de serem excluídos novamente. A expectativa é de que a diferença entre os preços locais e os valores de importação permaneça em apenas 5%.
A situação é ainda mais complexa para a Petrobras. O Itaú BBA observou que a política de preços da estatal já proporciona alguma flexibilidade. Apesar de um repasse integral dos custos ser mais indicado, a cautela da Petrobras é compreensível dado o cenário de volatilidade. O Morgan Stanley explicou que o preço do diesel operaria dentro de uma faixa, com um custo mínimo de produção e um teto próximo ao preço de importação.
Ambos os bancos acreditam que o pacote poderá reduzir a necessidade de ajustes formais nos preços pela Petrobras. Contudo, uma condição estabelecida na medida provisória exige que a companhia aumente as vendas para distribuidoras para receber o subsídio de R$ 0,80 por litro. Para isso, seria necessário um aumento significativo nas importações, o que complicaria ainda mais a situação.