Jamie Dimon alerta sobre perdas maiores no crédito privado e riscos econômicos em carta aos acionistas.

O presidente-executivo do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, alertou que as perdas no setor de crédito privado podem ser maiores do que o esperado quando o ciclo de crédito se deteriorar. O aviso foi feito em sua carta anual aos acionistas, divulgada nesta segunda-feira (6). Dimon observou que os padrões de crédito têm se enfraquecido em quase todos os setores, mencionando expectativas otimistas em relação ao desempenho dos mutuários e o crescimento do uso do mecanismo PIK (payment-in-kind), que permite que devedores diferem o pagamento de juros e principal.
O mercado de crédito privado cresceu rapidamente na última década, devido à regulamentação bancária que afastou instituições como o JPMorgan de certos segmentos. Embora Dimon avalie que o setor, que movimenta US$ 1,8 trilhão, provavelmente não representa um risco sistêmico, ele ressaltou que a falta de transparência e critérios mais frouxos para avaliação aumentam o risco de saques em massa, especialmente em contextos de deterioração econômica.
O alerta de Dimon ocorre em um momento em que fundos do setor enfrentam pressões. Recentemente, a Blue Owl anunciou a limitação de saques de dois de seus fundos, após um aumento histórico nos pedidos de resgates, em meio a preocupações sobre o impacto da inteligência artificial nos tomadores de empréstimo do setor de tecnologia.
Além das questões relativas ao crédito privado, Dimon apontou riscos geopolíticos como uma fonte de pressão sobre a economia global, citando a guerra no Irã como potencial causadora de choques contínuos nos preços do petróleo e das commodities. Isso, segundo ele, poderia manter a inflação elevada e levar os juros a níveis superiores aos que o mercado atualmente precifica. Dimon também criticou as novas regras de capital propostas pelos reguladores, classificando-as como inadequadas e afirmando que a sobretaxa sobre o JPMorgan é absurda e antiamericana.