Milhares de portugueses protestam contra a crise habitacional e as novas regras de despejo do governo.

Milhares de pessoas foram às ruas de Portugal neste sábado (21) para protestar contra a crise habitacional que afeta o país. Sob o lema “Já Não Dá”, manifestantes se reuniram em Lisboa e em 15 outras cidades, como Porto, Braga e Coimbra, pedindo soluções para o descompasso entre os baixos salários e os altos preços dos imóveis. A mobilização, organizada pela plataforma Casa para Viver e apoiada por cerca de 80 entidades, critica o impacto da especulação financeira e do turismo no mercado imobiliário nacional.
Na capital, Lisbon, centenas de protestantes se concentraram na Praça do Marquês de Pombal e marcharam pela Avenida da Liberdade, exibindo cartazes com mensagens como “Fartos de escolher: pagar renda ou comer” e entoando palavras de ordem como “Menos renda e mais salário”. O movimento atraiu uma diversidade de participantes, desde jovens diretamente afetados até proprietários que reconhecem a gravidade da situação.
O protesto se intensificou após a recente aprovação de um pacote de medidas pelo governo português, que inclui alterações nas leis de arrendamento, facilitando o despejo em casos de inadimplência. A plataforma Casa para Viver criticou essas novas regras, chamando-as de irresponsáveis e acusando o governo de penalizar os mais vulneráveis. As associações que defendem o direito à moradia argumentam que a rápida execução de despejos não representaria uma solução eficaz, afetando uma fração mínima do mercado.
Movimentos sociais exigem, em vez de facilitar despejos, a regulação dos preços de aluguéis, aumento na oferta de habitação pública e a criação de mecanismos para disponibilizar imóveis vazios. A busca por soluções mais eficazes se torna cada vez mais urgente diante da crescente crise habitacional no país.