Brasil expressa preocupação com possível fragmentação do Irã devido à guerra com Israel e EUA.

Chanceler de Lula diz que risco de fragmentao do Ir preocupa governo

O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manifestou preocupação perante o Senado Federal sobre a possibilidade de fragmentação do Irã em decorrência do conflito com Israel e Estados Unidos. Vieira alertou que a atuação de milícias armadas sem comando adequado pode agravar a instabilidade na região, além de potencializar fluxos migratórios. Ele destacou que a estratégia militar promovida pelos EUA e Israel inclui a eliminação de líderes iranianos, com o objetivo de desestabilizar o regime islâmico.

O chanceler mencionou a morte de importantes figuras da liderança iraniana, o que, segundo especialistas, pode levar a uma radicalização do governo. Essa série de acontecimentos estaria fortalecendo a linha-dura do regime e aumentando a influência da Guarda Revolucionária. Vieira também frisou que o conflito tem impulsionado a busca por armamentos nucleares, com as tratativas atuais ocorrendo de forma bilateral, enquanto a ONU desempenha um papel secundário.

Além das implicações políticas e militares, o ministro abordou os efeitos econômicos da guerra, ressaltando que uma interrupção no Estreito de Ormuz, importante rota para o tráfego do petróleo, poderia causar sérios danos à economia global e provocar inflação. Para o Brasil, que depende de fertilizantes iranianos, a situação é complexa. O governo brasileiro busca diversificar suas fontes de suprimento, mantendo conversas com países africanos e com a Bolívia.

Mauro Vieira também informou que há cerca de 70 mil brasileiros nos 12 países do Golfo e do Oriente Médio afetados pelo conflito. Em busca de garantir a segurança desses cidadãos, o ministro contatou chanceleres da região para facilitar a saída deles. Ele mencionou a negociação de rotas terrestres e vistos excepcionais para transitarem por países vizinhos.

O chanceler reiterou a posição do Brasil, condenando os ataques iniciados pelos EUA e Israel, bem como as retaliações do Irã, definindo-os como contrários ao direito internacional. Ele elogiou a postura dos países árabes na busca por uma solução diplomática para evitar uma escalada do conflito.