E-commerce impulsiona demanda por galpões logísticos no Brasil, beneficiando fundos imobiliários.

Corrida logstica entre Shopee e Mercado Livre favorece FIIs de galpes

A rápida expansão de empresas de varejo eletrônico, como Shopee e Mercado Livre, tem aumentado a demanda por galpões logísticos no Brasil e beneficiado fundos imobiliários do setor. Um exemplo é o TRBL11 (Tellus Rio Bravo Renda Logística), que anunciou a locação completa de uma propriedade em Contagem (MG) para as operações da Shopee no país. O contrato, firmado através da SHPX Logística, possui um prazo de 60 meses e valores compatíveis com o mercado da região metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo Anita Scal, diretora de fundos imobiliários da Rio Bravo, a crescente movimentação do e-commerce está gerando grande procura por galpões novos, especialmente aqueles bem localizados próximos a grandes capitais. A Shopee, embora ainda tenha uma presença menor em áreas locadas, está se expandindo rapidamente e passou a representar 34,4% da receita do fundo.

Esse crescimento é uma resposta à necessidade de otimizar a logística de entrega, que, segundo Scal, se tornou mais ágil. Com a demanda por entregas rápidas, a localização estratégica se torna crucial. O imóvel destinado à Shopee foi originalmente desenvolvido para os Correios e será adaptado para melhorar o recebimento e expedição de cargas.

Diante da baixa taxa de vacância, que geralmente varia entre 5% e 10%, empresas têm adotado o modelo built to suit (BTS), que permite a construção de galpões personalizados para suas operações. Recentemente, o TRXF11 também anunciou um projeto BTS para a Shopee em Londrina (PR), com investimentos estimados em R$ 135,5 milhões. A taxa de vacância reduzida e o aumento dos custos de construção têm levado as empresas a optar por essa solução sob medida.

Os dados indicam que o Mercado Livre ainda é o líder no espaço logístico do Brasil, com aproximadamente 3,74 milhões de metros quadrados distribuídos em 92 instalações, enquanto a Shopee conta com 1,65 milhão de metros quadrados em 110 ocupações. Segundo Fernando Didziakas, cofundador da Buildings, as duas empresas seguem estratégias distintas: enquanto o Mercado Livre concentra mais suas operações em centros de distribuição maiores, a Shopee opta por uma distribuição mais dispersa em diferentes regiões do país.