Ex-ministro Franklin Martins é retido e deportado do Panamá ao passar por controle migratório.

O jornalista Franklin Martins, que foi ministro da Secretaria de Comunicação Social durante o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, foi retido e deportado do Panamá na última sexta-feira, 6. O incidente ocorreu logo após sua chegada ao aeroporto da Cidade do Panamá, onde ele aguardava um voo de conexão para a Guatemala. Agentes de imigração abordaram Martins ao desembarcar, revistaram seu passaporte e o conduziram a uma sala reservada, onde foi interrogado e impedido de seguir sua viagem.
Durante o interrogatório, o ex-ministro foi questionado sobre sua prisão em 1968, durante a ditadura militar brasileira, quando foi detido por motivos políticos relacionados à sua luta contra o regime. Martins relatou que, mesmo explicando a situação, foi informado de que não poderia continuar sua viagem com base em uma lei migratória de 2008, que proíbe a entrada de estrangeiros com antecedentes considerados graves. Ele também tentou contatar a Embaixada do Brasil, mas teve seu pedido negado.
Após o episódio, o Itamaraty buscou esclarecimentos junto ao governo do Panamá. O chanceler panamenho, Javier Eduardo Martínez-Acha Vásquez, enviou uma carta ao ministro brasileiro Mauro Vieira pedindo desculpas pela retenção e justificando a ação como resultado da aplicação de um procedimento migratório automatizado. Ele ressaltou que o incidente não reflete a consideração do governo panamenho por Franklin Martins e que ele é sempre bem-vindo no país.
Entretanto, Martins afirmou que membros da Polícia Nacional do Panamá indicaram que a aplicação da lei migratória se intensificou recentemente, especialmente após novos acordos de segurança com os Estados Unidos. O episódio gerou reações no Brasil, com manifestações de apoio ao jornalista. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, classificou a retenção como absurda e injustificável. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) também criticou a ação, destacando a falta de comunicação do jornalista com a representação diplomática e a violação dos seus direitos.